quinta-feira, 22 de julho de 2010

Fotos do Espetáculo "Adélias, Marias, Franciscas..."

Debate após o espetáculo.

Fotos do Espetáculo "Há um Incêndio Sob a Chuva Rala"

Debate após o espetáculo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Participação do Grupo "Zingado de Ceci"


segunda-feira, 19 de julho de 2010

Material de Divulgação da 1ª Mostra em 2009 - A Temática do Feminino no Teatro

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Cartaz da 1ª Mostra em 2009 - A Temática do Feminino no Teatro

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Uma mostra de teatro com mulheres: a vontade e a idéia de um espaço de discussão!

Discorrer sobre a temática do feminino não tem sido privilégio de poucos. São inúmeras as montagens que se conhece e de que se ouve falar país afora. Entre muitos autores teatrais, não ignorando outras vertentes literárias, desde sempre encontramos muitos textos que tratam da relação da mulher na sociedade, da mulher no trabalho, na família, da mulher com a mulher e consigo mesma. Grandes mulheres que fizeram a diferença na história de um mundo que as reprimiu, são com frequência referenciadas no palco ou no cinema. Desse modo, não é possível ignorar a sensibilidade desse tema, como também não se pode ignorar, atualmente, o fato de um número cada vez maior de mulheres atrizes subir aos palcos para refletir, para denunciar ou mesmo para dialogar experiências comuns. O teatro autoral tem estado cada vez mais presente, confirmando essa última tendência. Interpretar a vida de Maria, Solange ou Teresa, significa muito mais do que colocar em cena a experiência de uma outra mulher. Mais que tudo, significa um olhar atento e sensível para o anônimo, compartilhando solidariamente através da arte, histórias e segredos que, de algum modo, entrelaçam-se com a própria. Somente o que nos é sensível nos movimenta em uma determinada direção.
A experiência com a montagem do espetáculo Eva Ave Marias – Mulher em Movimento, em 2007 e que continua, projetou o olhar para muito além do material histórico investigado. Reconhecer as próprias experiências e a própria trajetória situa-nos na sociedade em que estamos inseridas, tornando-nos decididamente integrantes da história que continua sendo construída. Dilata nossos sentidos para o agora. E o momento, de intenso individualismo, requer que olhemos para os fazeres isolados e busquemos uma integração do querer comum. Temos um universo, o feminino, sendo amplamente explorado em várias áreas ou, ao menos, caminhando para isso. Temos mulheres num teatro que fala de mulheres, da sua própria condição na sociedade, dos seus sentimentos, dos seus desejos. Esse é o movimento.

A idéia de criar a Mostra fundamenta-se primordialmente na valorização desse teatro, feito por mulheres, que fala de mulheres e de temas vários sob a ótica feminina. Não se trata de sectarizar, mas de desenvolver espaços de discussão sobre um tema que vem movimentando e transformando a sociedade. Trata-se de melhorar as condições de diálogo entre as próprias artistas, a obra e a sociedade, incluindo aqui as instituições ou entidades que trabalham com o fim de proteger a mulher ou de promover um conhecimento libertador. Assim sendo, devemos trabalhar no sentido de fazer valer o teatro que fazemos, de favorecer uma relação de troca e de apropriação estética pelo espectador. A vida nos inspira e, por isso mesmo, é para ela que devemos olhar quando buscamos sentido para nossas ações. Desse modo, é impossível ignorar tanto a importância do tema, quanto a sua pulsação.

Desenvolver uma Mostra, desse modo, é um passo importante na sintonia com o momento, que cria oportunidades de conhecimento e de troca sobre esse universo feminino no teatro. É um espaço para se discutir sobre que teatro fazemos, as poéticas, o manuseio dos textos e dos signos, o processo de criação, o treinamento, as inspirações e tantos outros aspectos envolvidos em uma montagem. Não menos importante é discutir para que público fazemos, inserindo-o, para também conhecermos como é por ele recebido. Isso tudo cria uma relação ética para com o teatro, com os artistas e com os indivíduos, pois dinamiza as participações e atribui a todos a importância que lhes é devida. E é também dessa experiência que novas abordagens podem surgir, e que possuem mais valor quando articuladas com as necessidades e com os sentimentos. Evidentemente essa responsabilidade deve dar-se em qualquer instância ou teatro que se faça, mas se deseja agora evidenciar o teatro feito por mulheres e criar um momento específico somente dele, para dar foco e torná-lo ao alcance de todas as pessoas e segmentos interessados. É um teatro de mulheres para homens e mulheres.

O teatro feito por mulheres e sobre o universo feminino tem crescido, não é novo. Enfrenta, provavelmente em todo país e como qualquer produção, a crise de espaços, a dificuldade de circulação, a dificuldade de temporadas e outras. Mas também enfrenta um isolamento pela própria complexidade da condição da mulher. Diante dessa realidade, precisamos lançar meios para fazer circular essas produções, valorizando “as” e “os” artistas, engajando a população e setores diretamente ligados à questão.

A Mostra é isso: o reconhecimento de que é preciso estar em movimento e atento às demandas, trazendo essas produções do isolamento para dialogar de modo coerente e humano com outras manifestações, outras culturas, outros pontos de vista. É fomentar a experimentação e a pesquisa, para qualificar a troca e melhor apropriar-se de suas significações, enquanto artista, enquanto cidadã e cidadão. É incentivar a formação de platéia. Mais ainda, é nos integrarmos às reflexões sobre o assunto em âmbito internacional, num universo de diálogo mundial.